Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Terça, 19 de setembro de 2017
UMA LUZ


acendo uma luz
que não é minha
só sua
para te desejar ser feliz
ânima plena e pura
que contenha todos os mantras
dos ancestrais das florestas
e de todos os horizontes
que façam seus desejos aceitos
em corpo, vida comum, em curas

não sou uma chama que apago
apenas estou na penumbra
te olho, te vejo, te velo
agora, sem nenhuma humana
interferência
assim, talvez, o nosso amor
possa ser um bem
entre todos
como nuvem
que flutua.


14.09.2017.

Foto: Vicente Sampaio.

quinta, 14 de setembro de 2017
ÁPICE DO CLÍMAX

 

algumas vezes cheguei muito perto de clímax, a poucos metros do topo do himalaia que nunca sequer subi.
muitos momentos senti o ápice em mim, entre o vivente e o eterno, a instantes de tocar o chão do fundo da fossa das filipinas, onde jamais estive.

é uma semi morte; é um além da vida: com num chute certeiro fazer o gol da vitória na prorrogação do jogo final do campeonato; ou com a palavra exata fechar a rima que faltava na canção necessária e portanto mais querida.

algumas poucas vezes mas bastante intensas, amei assim em minha vida. no esforço extremado da carícia, no mais poético possível da malícia, no encarniçado do desejo corpo a corpo, sendo réu e vítima.

mas enquanto há vida, todas as possibilidades estão escancaradas para jogos de dados, elementos, xadreses, palavras cruzadas, adivinhações, pera-uva-maçã, damas, biboquês, sete-marias, amarelinhas com céus, encontros programados, seduções virtuais, festas ilimitadas, solidões sombrias.

algumas vezes fui testemunha de elevações e quedas que levariam à morte ou à voltagem da vida, sendo que ambas são eternas. tudo energia. assim como um beijo na face da criança já sabida mas não conhecida, assim como um beijo de adeus na boca da pessoa amada, já pressentido mais ainda não incisivo.

algumas vezes fui de meus rés-do-chão aos meus pretensos infinitos.
e voltei.
não sei não por quanto tempo, não importa, agradeço por isso!

pelos clímax do ápice, os máximos das princesas e dos príncipes; pelos ápices dos clímax, as rainhas e os reis em êxtases em seus requintes. todos somente nós.


todas as vezes, hoje entendo, é somente a gente sendo, e o amor nas gentes, vida que engendra, salva e medra, tudo muito simples.


14.09.2017.

quinta, 14 de setembro de 2017
VOZ MÃE

 

voz mãe

aquela que gera

e dá à luz

toda natureza e magia

a voz guia

a cor em notas musicais

que dançam pelo corpo

e eletrizam

 

foz mãe

aquela que cria

e me conduz

sua a correnteza matriz

a foz minha

os timbres, os acordes e mais

palavras de harmonia

que me habitam

 

não peço mais

somente voz

que a foz de minha boca irradia

 

13.03.2017.
[para Paulo Machado].

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