Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Quarta,18 de abril de 2012
INATO



mesmo quando sou
acaricialmente romântico
ou então escorchantemente bárbaro
o segredo é
que não amo só pessoas,
plantas ou animais
mas amo o amor
- ele em si -
o sumo do sentimento
que gera minúcias e imensidões
o segredo é que não há
nenhum segredo
a desvendar
descubra o amor do amor
e você saberá.

marco.
29.02.2012.

Quarta,18 de abril de 2012
LÁPIDE



O amor ama tanto pombas brancas voando pelos céus como ratos e baratas rastejando dentro a seus esgotos. O amor não tem critérios e por mais que tente enredar mistérios, é somente um reles aprendiz, que não sabe o que diz, sempre infante mesmo velho, ente infame mesmo que tente ser o inverso.
O amor deseja o eterno mas sabendo que é certo o morrer. E portanto se torna um cego que não quer ver, um crédulo que não tolera rezar, um modesto que não sabe pedir, um perpétuo rito que respeita o mito do qual é escravo para sempre renascer e inovar. E assim respeita o destino de ter desprezo pelo que mais quer preservar.
O amor é um mercenário que quer todo ouro, louros sem glória. O amor é um obituário: por bem ou por mal, vai entrar na história.


marco.
20.01.2012.

Quarta,18 de abril de 2012
DESENVOLVIMENTO



O amor não é uma sorte ou uma virtude, ele é uma máquina atroz que engenha mil vicissitudes, e nela, por ele, rolam cândidas cabeças, se despedaçam alfazemas, se perdem razões e colheitas, mulheres e homens negam suas atitudes.
O amor é uma feroz moenda, igual foz que não para de sugar o rio, como sóis que não podem conhecer o frio, feito nós que infinitivamente queremos, e requeremos, e por isso não nos sobra tempo para brincar com o amor, para acarinhar o amor, para juntar cores num catavento e dar mais ar para o amor e, de alguma forma, fazê-lo mais terno, torná-lo forte em seu fundamento, que é ser livre, nem dono nem rês, não ser verdade nem sempre talvez.
O amor quando não se pergunta, nunca vai responder a ninguém.
O amor não é acaso nem certeza, vezes mais caçador do que presa, ou um frágil pássaro tentando planar contra o vento em pleno tornado.
O amor complica coisas simples, explica enigmas matemáticos, ensina por senhas tortas, anima corpos, exuma almas, alinha retas paralelas que nunca marcam um encontro, nem no infinito.
O amor que tanto tudo une, em certos momentos, para ir adiante, necessita se des-envolver. Então torna-se imprescindível um vocabulário que abarca expressões e palavras como: abandono, adeus, passado, insone, meu deus!, desculpe, nunca mais, infelizmente, fim.
O amor em desenvolvimento é assim.

marco.
21.01.2012.

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