Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Sexta, 10 de junho de 2011
SOFRÍVEIS

 

Não, eu sei que não é fácil amar da forma que se acha justo e claro, amar com paciência e objetividade, com abnegação e orgulho, humilde e certeiro feito um homem frente à morte, sabido e inocente como um menino adolescente descobrindo o mundo imenso, como um beco dentro de uma grande cidade. Sim, eu sei como é difícil achar os caminhos, conter os desejos, chutar os paralelepípedos, tirar leite de pedras, batear o precioso que se oculta no outro, ofertar as falhas e fraquezas que moram em nós, mover montanhas e deslizar por uma estrada plana, plena de prazer e felicidade.

Mas pelo sim, pelo não, melhor deixar o sangue arder nas veias e suar com a febre, conter o derrame quando for demais a hemorragia, manter no embornal de viagem toda maravilha curativa que chegar às mãos, que chorar nos olhos, que sorrir a cada dia como um velho novo sol, saber das fases da lua, das marés e da mulher, sofrer e delirar com o destino de menino e homem que traçamos, por atalhos em carro de boi ou via expressa num trem bala.

Eu soube que a vida é assim mesmo, um trajeto de claros e obscuros, de cleros e multidões, de poços e horizontes.

Eu sei que a sina é mesmo assim, mil projetos e sonhos de enormes dimensões e parcas realizações das etapas, sem nunca querer ver o fim do túnel, o desabrochar da flor da morte.

Eu saberei que o futuro é um lugar úmido de surpresas e novos desconhecimentos, um estar único e no entanto plural nos seus possíveis estabelecimentos.

Não, eu sei que o sempre e nunca se encontram em meu coração. E no seu. Sim, eu sei, ou penso que sei, que somos expressões múltiplas de humanos em seus viveres pessoais e intransferíveis. Mas sim, eu sei que cada um de nós é imperfeito e sofrível, às vagas de mares e correntezas imprecisas, ao relento de meias noites e meios dias, ao fado dos inventos que cada um faz de si mesmo e dos outros, sujeitos e substantivos sujeitos aos fatos, aos ventos, ao clima, aos cataclismos, ao amor e seus adventos. 

 

marco/10.06.2011.

Quarta, 08 de junho de 2011
TEU SOL

 

O sol que queima teu corpo

É vermelho como um lagarto

Que quando está na sombra descansa

E se torna verde, cinza, amarelo, escarlate.

 

No sol do teu coração

Há cinzas, ebulições,

Raízes de um velho carvalho.

Um baobá resulta nos

Tentáculos de teus dedos,

Uma nova folha de alface

Refresca tua pele e tece

Um novo dia

Para antigos fatos.

 

O sol que te afogueia

é aquele que te chama

inflama e incendeia e

no entanto é

simplesmente uma estrela

querendo, como eu,

tua atenção,

teu abraço. 

 

marco/02.06.2011.

Quarta, 08 de junho de 2011
VITÓRIA

 

Quero te dizer que você me traz coisas boas. Que você me faz bem. Bem estar, bem querer, boa palavra, boa saudade, boa vivência e convivência, o bem da vida.

Agora chove e escorrem cataratas na rua à minha frente. Não lava a alma mas acalma os sentidos, no sentido que as espumas das águas borbulham de vida nova e me resgata a esperança: o olor de água pura me apura os sentimentos, o sabor do seu corpo de terra texturado em líquida torrente.

É assim que me sinto, um homem carregado, como uma semente, por vento ou correnteza. Uma pessoa entregue a um caminho que te segue. Porque você me traz coisas lindas. Porque você me faz enorme bem, imensa sensação de vitorioso amor. 

 

marco/20.01.2011.

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