Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Terça, 26 de outubro de 2010
LOUCOS MOTIVOS

  

 

Invejo um trem

Que obrigatoriamente cumpre cada trecho

De sua estrada.

Detesto quem

Orgulhosamente nutre o seu erro

E não faz parada.  

 

marco/22.10.2010.

Terça, 26 de outubro de 2010
PROCÊ!

 

  “Mesmo sendo errados os amantes
   
Seus amores serão bons”
Choro Bandido
(Chico Buarque/Edu Lobo)

 

Sei, pois creio, que nós dois somos uma ilusão, uma possibilidade de imensidão que tanto o um como o outro já haviam desistido de tentar tornar realidade ou mesmo de tentar sonhar para não acordar no outro dia com a desfazia de não ter o que ver, sentir, renascer.

Então somos uma ilusão concreta, o que é ótimo e é uma incerta seta para quem não mirava mais nenhum alvo. Sei, pois já passou o meu tempo de receios, que não abro mão de você a não ser para entrelaçar os dedos e fazer dos nós das articulações ginásticas de ações pródigas para nós, que havemos de suar de amor e chorar de amor, da maneira mais bonita de se emocionar e se exercitar ao máximo para fazer valer esse encontro como se fosse e possa ser o último de nossas vidas, como transformar uma ilusão em uma coisa viva não fosse difícil mas a coisa mais óbvia e lógica e módica e simplesmente ótima da vida.

Sei, pois creio, que quero, que queres, que queremos sair da ilusão e seguir num sonho real que nos une com carinho, vontade, desejo, tesão, curiosidade, sedução, ternura, alegria, na vida comum que pode compreender e abarcar um grande amor e a liberdade de querer, de repente, se aprisionar a uma só pessoa, a umas sós palavras, mesmo reconhecendo os dicionários e as múltiplas linguagens e as linhagens de tantos dialetos vivos pelo mundo.

Sei, pode ser uma loucura mas que seja uma medonha maluquice lúcida, uma sincera doidice franca, um desatino perfeitamente amoroso e que se exacerbe aos seus extremos até o que, creio, não terá final, até sermos o que já somos: mais do que nós pensávamos, sonhávamos. Mas queríamos sim, pretendíamos sim, daríamos um dedo para sair sem pernas se pelo menos pudéssemos amar mais uma vez:

Belamente, profundamente, ardorosamente, crentes como se fosse esta a primeira e última vez que amamos, que quisemos, que desejamos, que gozamos, que não perguntamos nenhum porquê.

Te amo. 

 

marco/30.06.2010.

 

Terça, 26 de outubro de 2010
TRÊS

 

PRA QUÊ 

Amar é como qualquer vício.

Tanto se repete

Que se perde no desperdício.

 

JUSTA CAUSA 

Amor é circunstância.

Quanto mais demora

Mais breve a hora

De ir embora.

Mas para sempre

Recorrer

À uma segunda instância.

 

PAISAGEM 

Sou uma salina:

tenho que chorar um pouco todo dia

para desidratar a dor

embora saiba que depois

o que vai sobrar é sal,

nenhum amargo ou doce.

Senão eu seria um canavial.

 

marco/23.10.2010.

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