Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
quinta, 22 de junho de 2017
COMPROMISSO

 

se eu puder
me dar as mãos
irei


se sair do alçapão
que eu mesmo armei


uma armadilha
para o que amo
já amei
e amarei


se puder
juntar meus nãos
rumar os sins
lá estarei


o futuro
é o que a memória me reserva
o que a história me profeta


por ora
sem sonhos
nem metas


se eu puder me dar as mãos
eu sei
os pés me carregam


03.05.2017.

quarta, 21 de junho de 2017
UM HOMEM QUE TAMBÉM SOU EU

 

um homem que não sou eu vive paralelo a mim um homem que não me lembro antes de tudo depois de nada um homem que não me esqueço fora de meu corpo dentro de minha alma num transferimento que ferindo cura e curando mata um homem de sentimentos como eu come o que me encolhe e o que me dilata na fome do que escolhe e do que distrata ou destrata um homem tão quase meu estranho que me possui secreta delata vive em mim pulsa flui nos canos de minhas veias nos dias que serpenteiam nas semanas que trazem as feiras nos meses que fazem filhos nos anos que me envelhecem um homem atrás de teias tece seus vínculos um homem que não conheço mas que está sempre dentro em mim um homem em que me compenso e cobra juros juntos desde hoje até antes dos confins mas me faz renovar tentar semear flores arbustos temperos que gerem molhos de desesperos celebrações um homem que não tem anéis pois lhe faltam os dedos um homem de olhos cruéis porque não tem mais medos um ser que não sou eu mas me habita intenso pleno em meu céu de sonhos imerso em minhas águas de poço um homem velho e moço cenho de rugas onde senho sabedorias e culpas um homem estasiado estranho meu gêmeo um homem alucinado insano em meu âmago um homem à minha frente um homem atrás de mim um homem ao meu lado interior anterior que amo que ama um homem que acompanha seu fim


maio.2017.

terça, 20 de junho de 2017
URÓBORO

 

cobra que morde o rabo, o amor tem seus estilos, com mil vícios. e não deixa barato. sobra que nem suor que não cabe mais de tanta água e emoção no corpo; sobra, que só é resto, quando relegado ao desdém e não sabe mais ser são após tanta emoção e água, desperdiçada desde a fonte até o escuro fundo do poço. e o feito é da natureza, o destino é do acaso da feição da razão do afeto manisfesto ou do enclausurado amor das gentes. e então custa caro.caro de carência e gratidão e de custo, misto susto de carinho e violência, visto que quer vingança e clemência, xisto que contém o cascalho e a coisa rara, o minério do amor é esgoto e nata, rota de nave que sossobra, caravela que descobre águas ainda intactas, quando se pensava um mundo sem surpresas nos corpos e nas almas.o mistério do amor é fogo, terra, água, ar: arde, aquece, cozinha; guarda, nutre, gesta; chove, lava, alivia; suspira, venta, respira. afora os sextos sentidos que nos desequilibram. obra que se renova, o amor é a mãe, o pai e os filhos e filhas múltiplos da vida. dobra tudo e assopra o duplo porquê que cia: o que cria, no que acredita?
cobra que nos habita.


20.06.2017.

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